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Na semana passada, tive uma prenda de Natal antecipada. Um saco de laranjas do campo, as primeiras da época. Adoro laranjas. São doces, frescas, saborosas, sumarentas. E é fruta com bom aspecto.

Laranjas1

Uma das coisas que eu gosto mais nelas é que são fruta de Inverno. Hoje importam-nas de lugares exóticos como Cuba ou África do Sul quando cá não é a sua época, mas amadurecer no mar não é o mesmo que amadurecer na árvore.

Laranjas de Silves

Parece que já no tempo do Al-Andaluz, as melhores laranjas de todo o mundo muçulmano vinham daqui do jardim à beira-mar plantado. Se calhar por isso é que “Portugal” é nome de fruta na língua árabe…

Laranja

Consta até que um califa, especialmente dado aos prazeres mundanos, disse uma vez ao seu vizir:

“As mulheres são como as laranjas. Só se perdem as que não se colhem.”

Era bom ser califa do Al-Andaluz naquela época… :D

Iberia 900

Uma das minhas frustrações de miúdo era não poder provar as laranjas e tangerinas do pomar dos meus avós, por causa de uma alergia estranha a certos nutrientes. Mas de vez em quando escapava à vigilância atenta da minha mãe, lá aparecia cheio de borbulhas e a dizer que não sabia porquê. :)

Felizmente, a alergia esbateu-se com a idade e as minhas frustrações passaram a ser outras. Portanto, com a vossa licença, vou só ali fazer um suminho…

Nouvelle Vague

Porto. Uma noite fria e desagradável de Dezembro, daquelas em que a chuva ocasional é bem-vinda por amenizar um pouco a temperatura. Desço a rua 31 de Janeiro e reparo na Torre dos Clérigos, coberta de enfeites de Natal. Um potente foco móvel no lugar dos sinos projectava luz nas nuvens e edifícios vizinhos, como se tivesse lá aberto recentemente algum clube nocturno da moda. Mas ontem a animação estava noutro lado. Virei para a Sá da Bandeira.

Esta e outras belas canções aqueceram-me a mim e a mais mil resistentes ao frio de granito aqui do Porto. Bossa nova, cabaret, até uns laivos de reggae-ska progressivo (se é que isso existe) soaram naquela sala, entre 1001 nuances. Tudo muito retro, bem entendido, muito Nouvelle Vague. E letras bonitas, que convidam a pensar. “Never underestimate the power of denial”, como dizia o outro:

Não, não fui eu que gravei isto – mas como dizia o mesmo de há pouco, podia muito bem ter sido…

Parecia que o estilo mudava ao sabor do protagonismo dado a este ou aquele elemento da banda. Cada um dava a sua pincelada e, pasme-se, o resultado final era coerente. A belíssima voz e a teatralidade dos gestos da Phoebe e da Mélanie encheram o palco. Gerou-se uma verdadeira comunhão com a assistência, que cantou parte das letras das canções mais intimistas com elas.

Para quem não sabe (eu próprio só descobri há pouco tempo), esta banda só toca covers. A maioria de êxitos da new wave. Só foi pena o Moby não estar lá :D

E a beleza decadente do teatro Sá da Bandeira assentou que nem uma luva em tudo aquilo… lindo!

Oriente Próximo

Pois é. Afazeres vários têm-me arredado da blogosfera e os meus leitores (sempre em número crescente, já são quase 5 desde que convenci a minha família a vir cá) estavam a ficar impacientes. Além disso, foram feitos alguns reparos ao rumo editorial do site: “Ó filho, isto está muito giro mas fala pouco sobre viagens” foi um dos comentários mais ouvidos :D

Sempre sensível ao público, recordo agora a minha última incursão ao Norte de África, na Primavera de 2003.

Sinal de trânsito

Na altura viajava sem máquina fotográfica, mas arrependi-me logo. A beleza das paisagens e o exotismo das cidades precisavam de ser registadas e lá consegui arranjar uma câmara descartável, um verdadeiro achado naquelas paragens. Se o saudoso D. Sebastião algum dia regressar de lá, há-de passar por estas montanhas que circundam Chefchaouen…

Marrocos Chefchaouen

Atravessamos o Estreito em direcção a Ceuta, um pedacinho de Europa desde 1415 graças aos Portugueses. Explicaram-me no Museu Militar da cidade porque é que a sua conquista foi um dos maiores feitos militares de todos os tempos (o facto de ter sido dada por um espanhol torna a informação credível). Foi a primeira de muitas referências a Portugal na viagem. Aprendi, entre outras coisas, que Casablanca foi fundada pelos Portugueses e que lhe chamavam “Casa Branca”. Abaixo, um pôr-do-sol visto da bela cidade muralhada de Arzila, nosso entreposto comercial durante séculos.

Marrocos Arzila

Cruzamos portanto a fronteira em Ceuta. A fronteira entre Espanha e Marrocos, Ocidente e Islão, Norte e Sul. Mas não vi choque de civilizações, e tive mais medo dos carteiristas do que dos terroristas. Vi sobretudo pessoas que lutavam por uma vida melhor para si e para os filhos com menos de €100 por mês, e nunca baixavam os braços porque não podiam. Ofereciam-nos chá de menta por tudo e por nada e diziam que gostavam de nós (portugueses) porque regateávamos muito. Um comerciante chegou a dizer-me que “se um cliente não regateia, é porque não dá valor ao produto”. Paradoxal, no mínimo…

Marrocos - Banca de Azeitonas

Passei por um bosque de cedros (os maiores que já vi) povoado por umas criaturinhas simpáticas comedoras de amendoins:

Marrocos - Bosque de Cedros

Ah, e também vi neve! Para mim que cresci no litoral, isso é sempre uma festa…

Marrocos Neve

Foi na cordilheira do Atlas. A estrada era horrível, horas e horas de curvas, mas valeu a pena o sacrifício.

Marrocos Atlas

Fui um turista dedicado. Visitei a Ménara de Marraquexe e os belíssimos jardins e parque biológico adjacentes. Tirei esta fotografia sofrível à Mesquita Koutoubia, outro dos ex-libris da cidade. Surpreendeu pelo cosmopolitismo e relativa modernidade esta Marraquexe, com as suas avenidas largas herdadas da França colonial. Sentia-se a movida todas as noites e viam-se mais mini-saias e tops decotados do que numa cidade europeia. E não eram as turistas que as usavam, eram mesmo as marroquinas. A lei que daria às mulheres direitos iguais aos dos homens (a Moudawana) só chegaria no Outono desse ano, mas já se falava disso. E sentia-se, na rua.

Marrocos

Como qualquer turista dedicado, entrei em Fez pela porta Bab Bou Jeloud e visitei o bazar. Mas a parte da viagem que me marcou mais foi mesmo a passagem pelo deserto. O Sara não é nada como eu imaginava. Os oásis não são um par de tamareiras ao lado de um poço, mas sim grandes áreas densamente povoadas de vegetação luxuriante onde chegam a viver milhares de pessoas.

Marrocos Oásis

Além disso, as grandes extensões com dunas de areia fina são a excepção e não a regra. A paisagem típica do deserto é inóspita, sim, mas pedregosa (aqui, com uma tenda berbere ao fundo):

Marrocos Deserto com tenda berbere

Claro que tivemos que passar por uma zona de areia (Merzhouga). Subimos a uma duna com mais de 100m de altura…

Marrocos - Subida à duna

…para admirar o pôr-do-sol numa das paisagens mais bonitas e tranquilas que já vi.

Dunas Sara

Lá, a centenas de quilómetros da auto-estrada mais próxima, o tempo ainda corre devagar. Não há o assédio organizado ao turista ocidental que nos obriga a andar em grupo nas cidades, e aqueles que sabem francês falam connosco só pelo prazer de nos ouvir descrever países distantes, ou para discutir futebol e política com alguém diferente. Na altura, o Bush filho preparava-se para invadir o Iraque e o processo de paz na Palestina continuava no caos de sempre. Foi uma surpresa para mim quando eles puxaram esses assuntos e verifiquei que as nossas opiniões tinham muitos pontos comuns. O essencial é haver moderação, e ela existe. Lá e cá. Só no futebol é que não. Aqueles ignorantes tiveram o desplante de dizer que o Zidane era o melhor do mundo na altura, quando toda a gente sabe que era o Figo :p

Pormenor da nossa pousada, perto de Merzhouga:

Marrocos - Pousada Merzhouga

Resumindo, Marrocos surpreende pela multiplicidade das paisagens, dos aromas, da gente e dos sabores. Acima de tudo, é onde o Oriente está mais próximo de nós.

Marrocos Berberes nas Portas de…

PS: Um agradecimento especial à Rachel e ao Ed, turistas fotograficamente mais precavidos do que eu, por divulgarem o álbum da sua viagem a Marrocos. Tomei a liberdade de incluir algumas das suas fotos no meu relato (a primeira e as duas últimas). Agora já aprendi a lição, máquina sempre à mão ;)

Revelar princípios morais em situações extremas é admirável, mas se queres mesmo testar o carácter de um homem, dá-lhe poder. – Abraham Lincoln

Desde o início dos tempos que quem tem poder tem tendência a aproveitar-se dele, oprimindo quem não tem. Depois de centenas de anos de filosofia, descobriu-se um antídoto. Chama-se democracia. Ninguém tem o poder todo, e aqueles que o partilham são permanentemente vigiados. E por quem? Por todos, na democracia perfeita. Que o digam os polícias marroquinos “apanhados” pela democracia em Julho passado quando cobravam aos automobilistas por “protecção” contra arbitrariedades. Qualquer coisa como “passa para cá a massa e eu não te multo nem te levo para a esquadra”, um ritual tradicional em muitos países…

Dizer que a Internet é um veículo de democracia é um lugar comum. Mas é verdade. No Reino de Marrocos, já rolaram cabeças por causa destes cibernautas armados com câmaras digitais…

Roço…

É engraçado como às vezes justificamos as nossas decisões com infantilidades. Como aqui há umas duas semanas, quando me fizeram uma proposta invulgar:

-Olha, queres vir a um workshop de “Trabalho Corporal Integrado”? É a Gata das Botas que organiza.

-Trabalho corporal quê? Sabes mesmo do que se trata?

-Não. Mas mete roço. E só devem ir gajas. Anda, vais gostar. Além disso, preciso de boleia.

-’Tá bem, então.

E pronto. Confio plenamente quer na pessoa que organizou a actividade, quer na pessoa que ma propôs. Isso seria suficiente, mas a razão oficial da minha comparência resumiu-se a mulheres e “roço”. Sim, porque qualquer gajo à séria precisa de justificar muito bem o seu gosto por eventos ligados à expressão corporal.

Resumindo, lá fomos para a Maia e acabou por haver pouco roço :D Apesar disso, gostei muito mais do que estava à espera.

TCI2

Naquela tarde despertaram em mim capacidades escondidas. Já não me lembrava do tanto que podemos comunicar através do toque, do movimento e do olhar. Vejam só, parecíamos um bando de tolinhos…

TCI3

Foi muito interessante ver o grupo “crescer” em desinibição e intimidade ao longo daquelas quatro horas, levados pela intensidade das experiências (mas não, ninguém tirou a roupa a ninguém :P )

TCI

A repetir, um dia destes. Obrigado, Gata das Botas!

Construam-me, porra!

Estava nos livros da escola do tempo dos meus pais, foi projectada ainda antes do 25 de Abril, mas os trabalhos estiveram parados durante décadas. Ficou a imagem, divulgada em todos os telejornais, das letras vermelhas pintadas no betão: “Construam-me, porra!”

Agora as coisas estão diferentes. Parece que é desta que a obra é acabada. A barragem está construída, o plano de rega avança e um enorme lago estende-se já desde Alqueva até Juromenha, a mais de 100km. E eu fui lá ver, com um grupo de amigos da Juvemedia, minha companheira em muitas das viagens que faço.

Alqueva - Albufeira

Para além do maior lago artificial da Europa, a região tem uma gastronomia excelente. Come-se muito bem e bebe-se ainda melhor. Por exemplo uma sopa de tomate com ovo, numa tasquinha simpática em Borba.

Sopa de tomate

E as migas, o borrego, a vitela assada, a sopa de cação, o presunto e a “bochecha” de porco preto, o queijo de ovelha… o balanço foram 2,5kg a mais (de sexta a domingo), apesar de nunca ter lanchado a meio da tarde. Quanto ao vinho, esta foi uma das poucas regiões onde o tinto “da casa” se revelou uma agradável surpresa em todos os sítios que visitei. Claro que visitámos uma adega cooperativa (a de Reguengos de Monsaraz), de onde trouxemos umas boas dezenas de garrafas. Na minha mochila só couberam duas, foi pena…

Trincadeira e Monsaraz Reserva

Resumindo, foi um fim de semana de boa comida e boa pinga, em boa companhia. O que é que se pode querer mais?

Carmim

E entre os saudáveis convívios gastronomico-enológicos ainda houve tempo para visitar aldeias históricas e alguns monumentos nacionais. Redondo, aliás Mourão (obrigado pela correcção pessoal, não bebo mais), aldeia muralhada:

Monsaraz

Monsaraz, outra aldeia muralhada (não sei quem do nosso grupo tirou esta foto, mas está excelente):

Monsaraz à noite

A nova aldeia da Luz, construída para os homens enquanto a antiga era entregue aos peixes (esta igreja foi transferida pedra por pedra).

Igreja Luz

Há um museu a contar a história da aldeia e da barragem.

Museu Luz

Pernoitámos numa magnífica casa de turismo rural.

Turismo Rural

Ficava em Telheiros, uma aldeia que não é muralhada mas com pormenores bastante interessantes.

Casa Telheiros

Casa Telheiros II

Mesmo antes de ir embora, fomos a Vila Viçosa ver onde os nossos reis da última dinastia passavam férias. Residência modesta, com apenas uns 50 quartos de dormir… ainda assim, dava para umas temporadas de caça. Consta que a el-Rei D. Carlos dava muito prazer a caça à perdiz, antes de ele próprio ser “caçado” por dois republicanos radicais, no famigerado regicídio de 1908.

Paços de Vila Viçosa

A estátua equestre que guarda o paço é de el-Rei D. João IV, o restaurador da independência nacional em 1640. É ele o responsável pela maior parte dos castelos e muralhas que visitei neste fim de semana, já que os mandou construir durante a guerra que se seguiu à separação de Portugal do reino das Espanhas. Ao que parece, os castelhanos invadiram quase todas as primaveras durante uns 10 ou 15 anos, até que se cansaram de levar tareia…

Paços de Vila Viçosa - Estátua equestre

Nos jardins dos Paços Reais estava uma gata muito sociável. Será que tem sangue azul? :D

Gata Vila Viçosa

E pronto. Acabou-se um belo fim de semana. Obrigado Juvemedia!

A Ilha das Trevas

Hoje vou partilhar informação sobre um livro que li em viagem. Ao contrário do Professor Marcelo, li-o mesmo antes de o recomendar. :D

Como muitos portugueses, segui apaixonadamente as misérias e as alegrias de Timor-Leste ao longo de anos a fio. Aliás, pode-se dizer que a minha geração cresceu a ouvir falar daqueles desgraçados que rezavam em Português enquanto eram chacinados pelos militares indonésios. Para mim tudo começou em 1991, com as imagens do massacre do cemitério de Santa Cruz que correram o mundo. Eu, na altura um teenager inconsssiente (com 3 ss), sabia muito pouco sobre a tal ilha no outro lado do mundo, mas acordei. Eu e 10 milhões de portugueses, que não se calaram até ao referendo de 1999 e posterior independência do território em 2002.

Hasteamento Bandeira Timor Leste

Mesmo quando a campanha atingiu o grau de insanidade politicamente correcta que se sabe e “Timor Loro Sae” era uma espécie de senha/contra senha que qualquer democrata repetia até à exaustão (quem dissesse “Timor Leste” era logo olhado de lado), tive sempre a noção de que estava a assistir à História em directo. Afinal, a opinião pública conta. Claro que não foi só a opinião pública a levar a água ao moinho, foi preciso uma crise económica nunca vista para afastar o Suharto do poder na Indonésia e criar as condições para o diálogo. Mas aqueles pauzinhos todos deixados na engrenagem fizeram a diferença, no fim.

Independência de Timor Leste

“A Ilha das Trevas” é um livro que conta esta história, antes e depois da opinião pública tomar as rédeas dos acontecimentos. O autor é o José Rodrigues dos Santos, antes de se tornar no Dan Brown português.

É o menos conhecido dos seus livros (e o único que li até agora) mas deve ser o mais interessante. Não pela mestria da escrita, mas pela história em si. E está bem contada. Percebe-se o ponto de vista de todos. Dos timorenses, dos indonésios, dos portugueses e dos americanos. Do cidadão anónimo e do político ou embaixador encarregado de lidar com a situação.

Mais: Agora vai haver filme. Fico à espera…

Enquanto o Verão não acaba, tenho-me esforçado para aproveitar os últimos raios de sol. Vai daí, sempre que as ondas e a baixa-mar o permitem, tenho reservado os fins de tarde para umas aulas de surf aqui em Espinho. É verdade, surf, meus caros. E não é nada fácil, asseguro-vos, mesmo para quem cresceu a passar os Verões dentro de água como eu. Muita palmada apanhei da minha mãe por ir para o mar quando ela não estava a ver. Com bandeira vermelha e vagas maiores do que eu, sujeito a afogar-me ou a quebrar a coluna vertebral ao espatifar-me contra a areia. Que saudades :)

Então lá ando a passear a minha inabilidade no mar, nestes fins de tarde de fim de Verão. A única manobra que domino, para já, é o passeio da prancha pela praia :) E foi no fim da aula, durante a execução dessa importantíssima manobra, que o meu professor apontou uma estrela no meio da assistência. “Olha, está ali a vice-campeã do mundo de Judo. Com aquela não te metas, hã?” E estava mesmo. Eu vi a final na televisão, quando ela perdeu o combate por meio(!) ponto… ainda assim, excelente resultado.

Telma 2 (Final do Campeonato Europeu, 2005)

E pronto. Ao ouvir o professor, metade minha turminha de surf foi felicitá-la, a ela e às amigas. Mérito do êxito desportivo. E do facto da moça ficar muito melhor de biquini do que de kimono. Muito mais bonita do que a chinesa que ganhou a final, um camafeuzinho :p

Telma 1(Campeonato do Mundo, Rio de Janeiro, esta semana)

Parolos do caraças… ainda assim foi engraçado vê-los cumprimentarem-na com apertos de mão, muito respeitinho para não arriscarem ir ao tapete :)

Uma Truta Rio Acima

Desde o início dos tempos que a música tem sido uma das formas mais gratificantes de viajar sem mover os pés do sítio. Uma boa melodia consegue alegrar ou comover o mais bruto dos seres humanos. Há registos de que os Assírios, quando puseram metade da Mesopotâmia a ferro e fogo e submeteram a Babilónia com lendária ferocidade, poupavam os músicos das cidades que conquistavam.

Uma das melhores melodias de todos os tempos veio da inspiração de outro obscuro e tímido mestre-escola, desta vez austríaco, de seu nome Franz Schubert.

Schubert

Toda a gente conhece a sua Ave Maria, mas a melhor parte da sua obra são os lieder, canções intimistas e bucólicas para voz e piano. Uma delas, “A Truta”, forneceu o tema para estas variações.

Só as encontrei num vídeo, cuja única imagem interessante é precisamente da truta, cuja alegre viagem rio acima pelos Alpes austríacos é suposto ser descrita musicalmente por este trecho. Para quem tiver paciência, pode ouvir a canção de onde o tema foi retirado. Tem um grande defeito, que é o de ser cantada em alemão :) mas ainda assim é muito bonita.

Toda a Verdade

Não sei se já viram alguma das reportagens do “Toda a Verdade”, na SIC Notícias. À primeira vista, o nome fez-me lembrar a primeira página de um tablóide, mas depois vi um ou dois programas e pareceu-me jornalismo de investigação sério. E o filme de promoção que fizeram é excelente. Ganhou uma medalha de ouro numa competição internacional.

Toda a Verdade

Realmente, o spot é tocante. Emocionou-me verdadeiramente, da primeira vez que o vi. Transforma dramas anónimos em dramas pessoais. Fez-me sentir um sortudo por pertencer aos 20% da Humanidade que não vê os seus direitos fundamentais serem atropelados todos os dias. Vejam a notícia.

Seleccionem “Ouro no Shark Awards”, na coluna da esquerda. Ainda ninguém colocou o vídeo no Youtube…

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