O meu pai é um excelente farejador de promoções. Consegue um notável rácio qualidade-preço sempre que vai ao supermercado e, por isso, tem sido ele a tratar das compras lá de casa desde que me lembro. Mas no que toca a viagens, tem muito que aprender.
Nunca imaginei que uma viagem Porto-Berlim pudesse durar quase um dia inteiro, incluindo um pousio de cinco horas em Madrid. Fiquei a conhecer aquele terminal de aeroporto como a palma da minha mão, incluindo todas as lojas, tabacarias, restaurantes, WC’s, escadas rolantes e corredores de serviço. E ainda me sobrou tempo para ler dois álbuns de BD e imprensa diversa, em castelhano e em português. Obrigado, Pai. Obrigado, gentil menina da agência de viagens, que oportunamente lhe indicou aquele fabuloso voo em promoção da Ibéria. No qual, a propósito, nem uma garrafinha de água era oferecida e os famintos viajantes tinham que desembolsar mais de cinco euros por uma mísera sandes. Será que os espanhóis venderam a sua companhia de bandeira à Ryan Air ou à Virgin? Tenho que investigar isso. Passados uns dias viajei pela Easyjet. A hospedeira ficou espantada com a exuberante alegria que demonstrei quando me disse que o sumo de laranja era grátis…
Segunda bagatela descoberta pelo meu pai graças à solícita menina da agência de viagens: Um hotel de quatro estrelas a um preço excepcional! A sua localização pouco central seria compensada pelo facto de ficar “a apenas dez minutos do aeroporto”, lia-se no prospecto. Mas eu, desconfiado, fui verificar. Cinco minutos no Google Earth bastaram para descobrir que há dois aeroportos principais em Berlim e que nós, no dia seguinte, íamos aterrar no “errado”, não no tal que estava a dez minutos do hotel…
Lado positivo: Depois de aterrar, tive oportunidade de treinar o meu alemão enquanto discutia com os funcionários dos transportes públicos de Berlim qual o tipo de bilhete mais indicado para turistas e quais as linhas de autocarro, metro e/ou comboio suburbano a tomar para galgar os quase quarenta quilómetros que me separavam da cama, da mesa e da roupa lavada.
Saí-me surpreendentemente bem. Até servi de intérprete entre duas italianas e um alemão que tentava, sem sucesso, dar-lhes direcções.
Acabei por entrar no hotel com um sorriso nos lábios. Afinal falo alemão melhor do que pensava (embora ainda não tão bem como gostaria) e, no fim das contas, o hotel era bom. Situado na beira do rio Spree (que atravessa Berlim), bons quartos, esplanada com vista para um bonito palácio na outra margem, terraço, empregados educados e simpáticos. A aventura teve um final feliz.
Obrigado, pai. Obrigado, gentil menina da agência de viagens.
agora faltam as fotos… Berlim é uma cidade que me anda a seduzir há já algum tempo… talvez para o ano…
Olha, a primeira foto de Berlim (arredores, mas ainda Berlim) já está no cabeçalho aqui do blogue. Hão-de vir mais brevemente