Porto. Uma noite fria e desagradável de Dezembro, daquelas em que a chuva ocasional é bem-vinda por amenizar um pouco a temperatura. Desço a rua 31 de Janeiro e reparo na Torre dos Clérigos, coberta de enfeites de Natal. Um potente foco móvel no lugar dos sinos projectava luz nas nuvens e edifícios vizinhos, como se tivesse lá aberto recentemente algum clube nocturno da moda. Mas ontem a animação estava noutro lado. Virei para a Sá da Bandeira.
Esta e outras belas canções aqueceram-me a mim e a mais mil resistentes ao frio de granito aqui do Porto. Bossa nova, cabaret, até uns laivos de reggae-ska progressivo (se é que isso existe) soaram naquela sala, entre 1001 nuances. Tudo muito retro, bem entendido, muito Nouvelle Vague. E letras bonitas, que convidam a pensar. “Never underestimate the power of denial”, como dizia o outro:
Não, não fui eu que gravei isto - mas como dizia o mesmo de há pouco, podia muito bem ter sido…
Parecia que o estilo mudava ao sabor do protagonismo dado a este ou aquele elemento da banda. Cada um dava a sua pincelada e, pasme-se, o resultado final era coerente. A belíssima voz e a teatralidade dos gestos da Phoebe e da Mélanie encheram o palco. Gerou-se uma verdadeira comunhão com a assistência, que cantou parte das letras das canções mais intimistas com elas.
Para quem não sabe (eu próprio só descobri há pouco tempo), esta banda só toca covers. A maioria de êxitos da new wave. Só foi pena o Moby não estar lá
E a beleza decadente do teatro Sá da Bandeira assentou que nem uma luva em tudo aquilo… lindo!
E a companhia, que tal? Será que ajudou a completar a beleza da noite? : )
Claro que sim
Que lindo!!! Tanto amor… Fico feliz por Tiago.